domingo, 1 de maio de 2016

O cristão e a Realidade Virtual

As tecnologias necessárias para tornar a Realidade Virtual algo corriqueiro estão avançado tão rapidamente que a Matrix (ficção científica de ontem) já não parece mais um absurdo tecnológico. Há alguns detalhes ainda a serem lapidados, e o preço ainda impede que pessoas comuns desfrutem desta tecnologia. Mas já não é absurdo imaginar que, daqui e menos de uma década, aparelhos de Realidade Virtual sejam tão baratos e comuns quanto os smartphones são hoje. Cidadãos comuns poderão sentar no chão de uma casa imunda e pequena, colocar óculos de realidade virtual, e ter a sensação de estarem passeando pelo palácio mais suntuoso do mundo, ou viajando para onde quiserem.

Parece ótimo ... mas há problemas! Não é difícil imaginar o interesse que Satanás tem em difundir estas coisas. Tudo aquilo que serve para afastar o ser humano da realidade contribui para levá-lo à condenação eterna. Aquele que cegou o entendimento dos incrédulos (II Co 4:4) deseja que o homem passe a vida inteira dormindo, ou embriagado, ou sob o efeito de drogas, ou vivendo em um universo virtual; qualquer coisa, menos encarar a realidade da vida, da morte, e da nossa responsabilidade diante de Deus. E se prestarmos atenção em como a Internet já afeta nossa relação com a vida e com nossos semelhantes, creio que teremos muitos motivos para nos preocuparmos com o que está por vir!
Os jogos virtuais modernos agora não são mais uma distração ocasional para aliviar o stress: através do intercâmbio entre diversos jogadores reais, em tempo real, os jogadores começam a permitir que o jogo interfira na sua vida real. No começo eram chamados de RPG (Role-Playing Game, ou em português, Jogo de Interpretação de Personagem). O jogador imaginava ser um soldado, ou um piloto, e se distraia por alguns minutos. Hoje evoluíram de RPG para MMORPG (Massively Multiplayer Online Role-Playing Games, ou em português, Enorme Jogo Online Multijogador de Interpretação de Personagens). Acrescentando a esta fórmula mais dois ingredientes através da mágica da Internet rápida (jogadores reais jogando com você, e tudo isto em tempo real), tudo mudou, e participar do jogo agora tornou-se um compromisso, não mais um divertimento.

E as redes sociais? Será que corremos o risco de gostarmos mais da vida falsa e superficial do que da vida real? Afinal, é fácil conviver no Facebook, onde os algoritmos vão filtrando tudo que vemos, adaptando-se àquilo que "curtimos", de sorte que vemos apenas as informações que mais nos agradam. Mas na vida real precisamos nos esforçar muito mais para suportar uns aos outros!

Conforme estas coisas vão evoluindo, cresce a tentação de me afastar da vida real e viver no mundo virtual dos games e das redes sociais. E quando este mundo virtual fornecer sensações tão realistas quanto às da vida real, como será que lidaremos com isto? Saberemos distinguir entre o real e o virtual? Seremos tentados a deixar a vida real desmoronar, enquanto nos divertimos no mundo virtual?

Para alguns, nem deveríamos nos preocupar com isto, pois “se as pessoas estão tendo uma vida virtualmente feliz, estão tendo uma vida feliz. Ponto final.” (citado num artigo em inglês na Wired). Ou, em outras palavras, se a Realidade Virtual é tão convincente quanto a realidade, mas mais agradável, que problema há em me dedicar mais àquela, e esquecer da vida real?

E aí está o problema: a Realidade Virtual fornece a mesma fuga da realidade que o ópio, o cigarro, o álcool e todas as outras drogas, mas numa embalagem muito mais atraente, e aparentemente mais inocente.

Como qualquer outra invenção do homem, a Internet pode ser uma ótima ferramenta para o bem, ou uma terrível arma para o mal. Como cristãos, como estamos nos posicionando diante desta ferramenta? Usamos a Internet, ou somos usados por ela?

© W. J. Watterson

P.S. Outro artigo muito interessante sobre o assunto (também em inglês) pode ser lido neste link.
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