quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Associações eclesiásticas

Ou, por que não tenho liberdade para cooperar com as denominações.



Desde o século II desta era, quando os salvos começaram a se afastar da simplicidade institucional que caracterizava as igrejas locais da época do Novo Testamento, o povo de Deus tem sido caracterizado, lamentavelmente, por divisão. Sempre houve, em todas as épocas desde então até hoje, igrejas locais que continuavam reunindo unicamente ao nome do Senhor Jesus Cristo, mas sempre houve, também, muitos salvos reunindo em organizações humanas. Hoje, a quantidade destas organizações (que chamarei aqui “denominações”) aumenta constantemente, para vergonha nossa e confusão dos incrédulos.

Diante deste cenário, muitos salvos se perguntam sobre a atitude que deveriam ter em relação a estes grupos. Devemos ignorá-los, abraçá-los ou lutar contra eles?

Alguns consideram que sua missão é combater contra todos estes grupos, e dedicam seu tempo criticando e opondo-se. Chegam até, em alguns casos, a afirmar que não existem salvos nas denominações. Tenho absoluta certeza, porém, que muitos e muitos salvos reúnem-se hoje em denominações. Conheço alguns, que não tenho receio de chamar de irmãos, cujo testemunho e compromisso com Deus manifestam claramente que pertencem ao Senhor. É verdade que muitos grupos modernos nem merecem ser chamados “cristãos”, e não pregam o Evangelho da Bíblia. Onde se prega outro evangelho (da prosperidade, por exemplo), é difícil imaginar que haja um salvo. Mas não podemos generalizar e dizer que todas as denominações são iguais. Gigantes do passado (Spurgeon, por exemplo), e muitos servos e servas anônimos hoje em dia, associados às denominações, andam mais perto de Deus do que eu na sua vida particular.

Isto quer dizer, então, que podemos abraçar todas estas denominações, e todos podemos servir ao Senhor juntos? Infelizmente creio que a resposta é: “Não!” Não posso trabalhar ombro a ombro com um irmão denominacional, nem posso apoiar o trabalho de denominações, pelas seguintes razões:

  1. Por causa da comissão do Senhor. Em Mateus 28:19-20 o Senhor mandou-nos (todos nós) fazer discípulos de todas as nações, e ensinar estes discípulos a guardas todas as coisas que Ele ensinou. Destaco as palavras “discípulos” e “todas as coisas”. Minha missão aqui na Terra não é só pregar o Evangelho, mas é também ensinar os salvos todas as coisas que estão na Palavra do Senhor. Só posso aceitar um convite para expor a Palavra de Deus num lugar onde haverá liberdade para que qualquer assunto contido nesta Palavra seja apresentado. As denominações seguem a Palavra de Deus e também o seu credo particular — e muitos detalhes destes credos humanos vão contra as Escrituras (principalmente, mas não exclusivamente, no que diz respeito ao governo e autonomia de uma igreja local). Eu seria rude e descortês se visitasse um grupo denominacional a convite deles, e pregasse sobre algo que eles não aceitam — por outro lado, eu seria infiel a Deus se os visitasse já tendo resolvido não tocar em determinados assuntos. Se não posso, com a consciência tranquila, tratar de “todas as coisas” que o Senhor ensina, não posso aceitar um convite para pregar ali.
  2. Por causa do problema da associação. Concorde ou não, o ditado humano tem muito peso: “Diga-me com quem tu andas, e eu te direi quem tu és”. Se eu me associo publicamente com as denominações, estou, implicitamente, apoiando o trabalho que fazem. “Mas o Senhor não comia com publicanos e pecadores?”, alguém dirá. Sim; mas há uma diferença enorme entre ter contato individual com pessoas que eu procuro ajudar, e associar-me publicamente com uma organização que está em desobediência à Palavra de Deus. O que me leva ao terceiro ponto:
  3. Por causa do erro terrível do denominacionalismo. Eu entendo que toda organização humana de salvos é uma afronta ao Senhorio de Cristo. Ele é o único Cabeça da Igreja — mas cada vez que alguém decide formar a sua própria “igreja”, com nome e regras próprias, ele está realmente tentando usurpar o lugar que pertence a Cristo (devemos admitir que mesmo entre igrejas locais pode ser encontrado esse espírito carnal, que afirma que “as nossas igrejas” são um grupo melhor do que “as outras denominações”). Irmãos, não pode haver um grupo terrestre maior que uma igreja local. Em cada localidade onde há um grupo de salvos atraídos ao nome do Senhor Jesus, estes devem reuir-se regularmente ao nome dEle, e sempre manterem-se submissos a Ele. Quando se associam, formalmente ou não — quando aceitam que uma organização, grande ou pequena, domine sobre eles — estão se afastando da simplicidade que há em Cristo (II Co 11:3). O denominacionalismo não é simplesmente uma confusão que criamos; é uma afronta contra o nome precioso de Cristo.

Reúno numa igreja local porque desejo obedecer “todas as coisas” que o Senhor mandou. Se estou tendo êxito nisso ou não, o Senhor certamente julgará no dia do Tribunal de Cristo. Não tenho coragem de dizer que sei tudo, ou que encontrei o modelo perfeito de igreja — mas reunir desta forma é a única opção para aqueles que buscam este alvo. É o único ambiente fundamentado no princípio de que toda a Escritura é nosso guia. Entendo que qualquer denominação erra na sua própria base quando aceita um credo ou estatudo para obedecer — nosso único “credo” deve ser a Bíblia. E se realmente creio nisto, então não posso me associar publicamente com essas organizações, nem me esforçar para ajudá-las a crescer.

“Então você quer ficar no seu cantinho, só jogando pedras nos outros? Que feio!” Realmente, fazer isto seria muito feio. Não posso jogar pedras em ninguém; é o Senhor quem julgará cada um dos Seus servos. Mas a realidade é que há tanta necessidade do Evangelho ser pregado hoje, tanta carência, e tanto serviço a ser feito, que qualquer salvo pode se ocupar diariamente no serviço de Deus sem atrapalhar o serviço das denominações, e sem associar-se a elas. Se há uma denominação que prega o verdadeiro Evangelho, dou graças a Deus por isso. Mas há muito outro serviço a ser feito. E me parece mais coerente ocupar meu tempo e meus esforços onde creio que posso ter liberdade para expor “todas as coisas” que o Senhor ensinou, ensinando aqueles que crerem a guardar “todas as coisas”, e sempre procurando exaltar o nome bendito do Senhor Jesus Cristo, do que associar-me com uma denominação que desafia a Palavra de Deus e que limitará aquilo que posso apresentar.

Este é o entendimento que tenho sobre minhas “associações eclesiásticas” — almejando o dia quando estaremos na presença do Senhor, onde todos os salvos estarão para sempre juntos, sem divisão, discórdia ou descontentamento algum! Que glorioso será!
© W. J. Watterson

domingo, 30 de setembro de 2018

Cronologia da morte e ressurreição do Senhor

Observação: Apêndice de um estudo detalhado sobre as Sete Solenidades de Levítico cap. 23. As considerações abaixo só farão sentido se lembrarmos que o “dia” judaico começa com o pôr-do-sol. Assim o dia 14 de Nisan (dia da Páscoa) termina quando o Sol se põe (18h00 mais ou menos), e aquela noite já é considerada o dia 15.


domingo, 17 de junho de 2018

As Sete Solenidades do Senhor

Levítico cap. 23 começa assim: “As solenidades do Senhor, que convocareis, serão santas convocações; estas são as Minhas solenidades”. Em seguida são listadas sete datas especiais que Israel deveria celebrar todo ano. Pode parecer só uma lista de festividades antigas, que não tem nada a nos ensinar — mas temos aqui um tesouro de ensino!

sábado, 30 de dezembro de 2017

Rasgado!


Em Mateus caps. 26 e 27 vemos que, naquele dia tão solene da crucificação, houve três ocasiões diferentes em que algo foi rasgado.

sábado, 28 de outubro de 2017

Hinos novos ou traduzidos

Faz vários anos (trinta, para ser exato) que venho tentando adaptar alguns hinos do inglês para o português. Recentemente achei interessante compartilhar estas tentativas com outros irmãos e irmãs. Algumas igrejas no Brasil estão usando alguns destes hinos em suas reuniões, e quem sabe sejam úteis para outros também.

sábado, 26 de agosto de 2017

Um tributo a Ronaldo Watterson


Em janeiro de 2017 estive na Irlanda do Norte com minha família por algumas semanas, e os irmãos da igreja local que se reúne na Av. Cambridge, em Ballymena, me pediram para falar sobre alguns aspectos da vida de meu pai. Eles separaram uma de suas reuniões de sábado à noite (destinadas principalmente aos jovens) para esse propósito, e foi sugerido o título: “A fé dos quais imitai …” (Hb 13:7).

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Figura ilustrativa das diferenças espaciais entre as preposições no grego bíblico

Aqueles que (como eu) não conhecem o grego precisam recorrer a dicionários para tentar entender  mais dos preciosos detalhes apresentados nas Escrituras. Um ponto difícil de entender é a diferença entre as preposições (aliás, não só no grego). Encontrei tempos atrás uma ilustração que achei muito útil, e finalmente criei coragem para traduzi-la e reparti-la com mais estudiosos da Bíblia.

domingo, 1 de maio de 2016

O cristão e a Realidade Virtual

As tecnologias necessárias para tornar a Realidade Virtual algo corriqueiro estão avançado tão rapidamente que a Matrix (ficção científica de ontem) já não parece mais um absurdo tecnológico. Há alguns detalhes ainda a serem lapidados, e o preço ainda impede que pessoas comuns desfrutem desta tecnologia. Mas já não é absurdo imaginar que, daqui e menos de uma década, aparelhos de Realidade Virtual sejam tão baratos e comuns quanto os smartphones são hoje. Cidadãos comuns poderão sentar no chão de uma casa imunda e pequena, colocar óculos de realidade virtual, e ter a sensação de estarem passeando pelo palácio mais suntuoso do mundo, ou viajando para onde quiserem.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Pregações em áudio

Seguem abaixo links para algumas gravações de pregações feitas em diversos locais do Brasil, gravadas por outros irmãos e repassadas a mim depois. Quem sabe podem ser úteis a alguém. Para baixar os arquivos mp3, clique nos links e espere abrir numa aba nova no OneDrive. Depois escolha a opção "Baixar".

Que Deus seja glorificado, e Seu povo edificado, através destas mensagens.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Acrósticos (ii)

Da série “Figuras de linguagem na Bíblia”. Leia também:
Introdução
Assíndeto e Polissíndeto
Zeugma
Acróstico (i)

Como vimos no primeiro artigo sobre acrósticos (veja links acima), a palavra “acróstico” pode ser definida como “composição poética em que cada verso principia por uma das letras da palavra que lhe serve de tema” (na verdade, apesar do acróstico formado por letras iniciais ser o mais comum, as letras que formam a palavra-tema podem ser também as letras finais ou até mediais).